Abro hoje a sessão RPG em Mesa.
Na minha visão RPG é uma expressão de arte, e nada mais justo do que debater sobre ele aqui no blog. Cresci jogando RPG e com ele aprendi muita coisa; alem de que muito do que sou hoje é por causa dele. Não vou postar os conceitos de RPG aqui, já que existem muitos outros sites, bem melhores que este, que já fazem isso.
O texto a seguir tem por objetivo falar a respeito da interpretação no RPG sob a visão particular que tenho. Espero que lhe sirva…
Interpretação no RPG
Hoje é difícil falar de RPG sem associá-lo as dezenas de sistemas que temos no mercado (Dungeons & Dragons, D20, Daemom), são sempre as mesmas perguntas – Você joga RPG? Qual sistema você joga? – um equívoco se pararmos para pensar. RPG, siglas que significam Role-Playing Game, traduzido como Jogo de Interpretação de Personagem. E o sistema? É dispensável.
Este texto não tem por objetivo criticar os sistemas que usamos, como você deve ter pensado. Tem como objetivo mostrar que desde o inicio RPG não é um jogo em que se priorizam as fichas de personagem, o nível dos heróis, os itens que possuem. Não o RPG. Como próprio nome diz é um jogo de interpretação, e não de regras. As regras dentro do RPG servem apenas para limitar e adequar essa interpretação a historia que se quer jogar, o mundo em que o personagem dessa interpretação irá viver. E é sobre interpretação que falaremos aqui.
A interpretação no RPG merece uma atenção especial, pois diante da trama ela acaba sendo a essência do personagem. Se o mestre for capaz de introduzir situações em que dados sejam dispensáveis – por exemplo, em uma discussão diplomática, uma decisão em grupo – tudo o que contara é a simples interpretação, e a capacidade do jogador em viver seu personagem. Não se enganem: dados não criam relações entre pessoas. E é fazendo essa analogia entre a vida real e o RPG que a interpretação deve estar, pois ela será a personalidade de seu personagem, e cabe a você, jogador, ser fiel a ela.
Antes de começar a distribuir os pontos pegue uma folha em branco e escreva uma historia para seu personagem, e antes de sair se aventurando entre características e pericias, tente imaginar como seu personagem agiria em determinadas situações clichês, como ser apanhado por um grupo rival e ter de dialogar com seu líder para merecer a vida, ou ser morto.
Exemplificando meu conceito de dar uma personalidade ao personagem coloco abaixo a historia de um.
As estrelas. Toda vez que deito a noite na relva para descansar, tudo se transforma. Vejo o quanto sou pequeno diante da grandeza do cosmo. Apesar disso continuo minha vida errante, vagabunda, através da qual eu procuro respostas. Não no fio da espada, não do embate entre iguais, mas na conquista de um objetivo. Mas qual esse meu objetivo. Não sei. Não sei o que os deuses me reservam, sei que busco, alheio a tudo e a todos. Não há igualdade nesse mundo, como não há qualquer tipo de sentimento que venha me fazer respeitar sua lógica. Não sou erudito, nem sábio, mas sou alguém que quer ser algo e estar em comunhão com alguma coisa. Sou rei em terra de súditos iludidos com uma falsa realidade. Não mago, mas faço magia com as vidas que cruzam meu caminho. Não sou apenas um homem, mas sou como todos os homens que querem ter família, terras, que querem ter um lar. Não sou apenas guerreiro. Sou o menos dos homens e o maior dos mortais. De repente ouço o vôo noturno de uma coruja, e caio das estrelas, voltando a realidade de minha pobre e miserável vida. Minha única e verdadeira amiga, minha velha espada, ainda descansa do meu lado. Tenho que andar e continuar a buscar meu objetivo. Mas, qual esse objetivo?
Espero que tenha ficado claro o que quero dizer aqui. RPG não é só um jogo, é um exercício de criação e conhecimento. Abraços…

[...] Primeiramente àqueles que não sabem o que é RPG sugiro leitura do post Interpretação no RPG. [...]